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Os Incríveis 3: agora é a vez dos filhos


Primeira prévia apresentada na D23 2026 mostra que Violeta, Flecha e Zezé terão papel central no novo filme. Pete Docter revelou detalhes da trama, enquanto Brad Bird explicou por que não pretende envelhecer a família Parr.


Foram anos praticamente no escuro, um anúncio aqui, uma confirmação de diretor ali e muita especulação. Agora, finalmente, Os Incríveis 3 começou a mostrar a cara.


Durante a D23 2026, realizada em Anaheim, a Pixar apresentou o primeiro olhar oficial para o terceiro capítulo da família Parr e confirmou que o filme chega aos cinemas em 16 de junho de 2028. Peter Sohn, diretor de Elementos, assume a direção, enquanto Dana Murray e Brad Bird permanecem envolvidos na produção. Mas a grande novidade não é exatamente quem está atrás das câmeras, e Pete Docter, diretor criativo da Pixar, foi bastante direto ao revelar a nova dinâmica:

“Agora é a vez das crianças.”

E completou dizendo que os filhos da família Parr “têm saído escondidos à noite para proteger a cidade”.


É uma frase curta, mas que entrega bastante sobre a história.


Violeta, Flecha e Zezé aparentemente não querem mais ficar apenas acompanhando os pais durante as missões. Eles começam a agir por conta própria — e, pelo que Docter descreveu, sem exatamente pedir autorização para Roberto e Helena antes de sair de casa. Isso muda bastante a dinâmica que conhecemos. Nos dois primeiros filmes, os filhos estavam aprendendo a entender seus poderes dentro de uma família de super-heróis. Agora, eles parecem querer provar que conseguem ser heróis independentemente dos pais.


E dá para imaginar o tamanho do problema.

Roberto Parr passou boa parte do primeiro filme querendo voltar secretamente à vida de super-herói e agora pode acabar descobrindo que os próprios filhos estão fazendo exatamente a mesma coisa com ele. - A ironia é perfeita para Os Incríveis.


Só que eles não vão crescer


Existe um detalhe importante aqui.

Desde que Os Incríveis 3 foi anunciado, uma das teorias mais populares entre os fãs era bastante previsível: e se a Pixar finalmente mostrasse os personagens mais velhos?

Violeta adulta. Flecha adolescente. Zezé finalmente consciente daquela quantidade absurda de poderes.


Brad Bird não parece interessado nisso.


Em uma entrevista concedida ao The Direct em julho, o criador da franquia explicou que envelhecer os personagens faria a história perder parte de seu caráter arquetípico. Segundo Bird:

“Eles foram feitos para representar fases da vida pelas quais passamos.”

E essa explicação é muito mais interessante quando lembramos de como os poderes da família foram pensados. Violeta é uma adolescente insegura — então consegue ficar invisível e criar campos de força. Flecha tem a energia praticamente inesgotável de uma criança — então corre em velocidades absurdas. Helena é uma mãe constantemente sendo puxada para todos os lados — literalmente elástica. Roberto carrega a expectativa de ser o homem forte da família — e possui força sobre-humana. E Zezé?


Bom… Zezé é um bebê.

Ninguém sabe exatamente o que um bebê vai se tornar. Por isso ele praticamente pode se tornar qualquer coisa.


Bird explicou que essa simbologia ainda é importante para ele e que simplesmente transformar os personagens em versões mais velhas não necessariamente tornaria a história mais interessante. É uma decisão que provavelmente vai dividir opiniões.

Mas existe uma lógica bastante clara por trás dela.


Então como os filhos vão assumir o protagonismo?


E aqui aparece talvez a parte mais interessante de tudo que foi revelado.

A Pixar aparentemente quer amadurecer os personagens sem necessariamente envelhecê-los. Violeta e Flecha não precisam virar adultos para começar a questionar a autoridade dos pais. Na verdade, talvez funcione melhor justamente porque ainda são jovens. Existe uma diferença enorme entre ajudar os pais durante uma emergência e decidir:

"Eu sou um super-herói. Não preciso esperar alguém me chamar."


Se realmente seguirmos Violeta, Flecha e Zezé saindo durante a noite para enfrentar criminosos, Os Incríveis 3 pode explorar uma inversão bastante divertida.


Nos filmes anteriores, Roberto e Helena precisavam ensinar os filhos a controlar seus poderes. Agora talvez precisem convencê-los de que ter poderes não significa necessariamente estar preparado para ser um herói.


E existe uma nova ameaça


Segundo a Reuters, a família Parr deverá se reunir novamente para enfrentar um novo e poderoso vilão. A identidade desse personagem, no entanto, ainda não foi revelada pela Pixar. E aqui é onde vale segurar um pouco as teorias. Não existe, até o momento, confirmação oficial de retorno de Síndrome, ligação com o Escavador ou qualquer grande teoria que esteja circulando nas redes.


O que sabemos é muito mais simples: há uma nova ameaça.


E os filhos estarão cada vez mais envolvidos no combate. Dependendo da maneira como esses dois elementos forem conectados, o vilão pode inclusive funcionar como consequência dessa tentativa dos jovens Parr de agir sem os pais. Mas isso, por enquanto, é especulação.


Brad Bird não dirige — mas continua dentro de Os Incríveis

Talvez a mudança mais arriscada do projeto esteja atrás das câmeras.

Os Incríveis 3 será o primeiro filme da franquia sem Brad Bird na direção.


Peter Sohn assume o cargo depois de comandar O Bom Dinossauro e Elementos. Sohn também possui uma longa relação profissional com Bird e chegou a trabalhar em produções ligadas ao cineasta antes de assumir seus próprios projetos na Pixar. Veículos especializados relataram que Sohn foi escolhido para carregar a franquia adiante com a aprovação de Bird e de Pete Docter. Bird, porém, não simplesmente entregou os personagens e foi embora. Além de permanecer ligado à produção, ele continua diretamente envolvido no desenvolvimento criativo do terceiro longa. Isso importa bastante. Porque Os Incríveis sempre teve uma identidade muito ligada à maneira como Bird escreve família.


Os poderes são quase secundários. Por trás das explosões, robôs gigantes, perseguições e vilões existe normalmente uma discussão bastante mundana acontecendo. Casamento. Trabalho. Frustração profissional. Filhos. Responsabilidade. Envelhecimento. E talvez esse seja exatamente o território que Peter Sohn precisa preservar.



 
 
 

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